Reboot
27 January, 2008
Corria o ano de 2350 d.C. sob a égide de um Estado Global em que maior parte das liberdades do Homem haviam sido substituídas por drogas e implantes electrónicos identificativos, geoposicionadores, neurotelevisivos e atordoantes.
Jonas Xai, filho da invasão genética da China, 200 anos antes, encontrava-se no edifício mais alto da cidade de Nova Pequim, sede regional do Estado Global no continente Americano. Era uma torre semelhante a um tótem, construída numa espécie de metal transparente, ultraresistente e avermelhado, com relevos que lhe davam o aspecto de estar coberta de olhos penetrantes em todas as direcções possíveis.
Cobrir todos os vectores comportamentais possíveis era de facto o objectivo do Estado, sendo que no interior do tótem, existia um monitorizador para cada unidade familiar, programado com as Leis para agir impeditivamente caso detectasse qualquer intenção considerada maligna.
Xai era um dos poucos humanos presentes na torre, existindo apenas para proporcionar um lado humano à forma como a humanidade era administrada, aparência essa de que nem a população nem o próprio regime necessitava. Ele era ironia na materialização completa do conceito. Na torre não existiam sequer cadeiras, quanto mais um escritório ou uma mera casa de banho. O seu cargo era porém extremamente apreciado e apetecido. Na verdade, os Monitores possuíam a taxa de mortalidade mais elevada entre a humanidade inteira, havendo mesmo quem pensasse que aquela era a forma de o Estado controlar a expansão da classe alta, não tendo porém tempo para pensar muito nisso, pois quem reflectisse sobre o Estado era anulado com uma rapidez electrónica, sendo a sua carcaça viva mas desespiritizada mais tarde recolhida pelo corpo policial.
Naquela tarde, enquanto Xai voltava para o seu bloco habitacional, Deus rasgou os céus e desceu sobre o Universo inteiro numa orla de fogo que inaugurou o amanhecer perpétuo do julgamento final. Dele brotaram tantas correntes de diamante quantos seres já tinham existido no Universo, que estropiaram todo o Mal, calcificando-o e esculpindo-o na forma de asas que o fogo embutiu em todos, transformando-os em anjos gordos, magros, feios, bonitos, estúpidos, inteligentes, amputados e perfeitos, sem que a existência de todas as características qualitativas e quantitativas voltasse a ter significado aos seus olhos preenchidos de cores celestiais.
Agora todos eram parte de Deus e na omnipotência da sua existência que também era deles, fundiram de novo o Mundo e abaraçaram o esquecimento para que nunca ninguém saiba se é real.
E o Xai?
O Xai foi trabalhar com o Prabhu Deva: